Corpos das 19 vítimas de acidente na BR-376 serão levados de avião até o Pará nesta quarta-feira.

Os corpos das 19 vítimas do acidente com um ônibus de turismo nesta segunda-feira (25) na BR-376, em Guaratuba, litoral do Paraná, só devem chegar ao Pará nesta quarta-feira (27). Eles serão transportados em um voo fretado que deve sair do Aeroporto Afonso Pena, em Curitiba, às 16h, até o Aeroporto Júlio Cezar Ribeiro, em Belém.

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O diretor da Polícia Científica do Paraná, Luiz Grochocke, disse que todas as vítimas já foram identificadas e que agora restam os procedimentos de cunho funerário. “Os corpos já estão liberados e serão entregues às famílias. A gente tem uma comissão permanente de identificação de vítimas de desastres e ela usa algumas técnicas de identificação. Nesse caso tivemos a maioria dos corpos identificados pelas identificações primárias na papiloscopia, em segunda plano a odontologia legal e apenas dois necessitaram de genética forense”, explicou Grochocke.

O veículo saiu de Ananindeua (PA) com destino a Balneário Camboriú (SC) e São José (SC) com 53 passageiros e dois motoristas, mas, enquanto descia a Serra do Mar em direção ao litoral catarinense, bateu na mureta de contenção, saiu da pista e tombou na lateral da rodovia.

O acidente resultou em 19 mortos e mais de 30 feridos. O motorista que dirigia o ônibus, um homem de 67 anos, prestou depoimento e foi liberado. Ele disse que houve falha nos freios do veículo durante a descida, mas alguns sobreviventes relataram que ele conduzia com imprudência no momento do tombamento. A Polícia Civil do Paraná investiga o caso.

Os corpos foram identificados pelo IML de Curitiba durante esta segunda e, aos poucos, estão sendo liberados para as agências funerárias contratadas pela empresa de turismo responsável pela viagem. Entre as vítimas fatais, estão 13 adultos, cinco adolescentes e uma criança.

Por falta de disponibilidade de voos da Força Aérea, responsável pela distribuição de vacinas contra a Covid-19 pelo país, o translado até o estado será feito por uma empresa particular paga pelo governo do Pará.

O secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Pará, Ualame Machado, explicou que a intenção é de que feridos levemente no acidente também retornem ao Pará com passagens pagas pelo governo. Já as vítimas graves devem permanecer internadas em hospitais do Paraná e de Santa Catarina para onde foram levadas, até que tenham condições de viajar.

“Os feridos graves têm que aguardar para estabilizar. Já estamos fazendo um levantamento das vítimas leves para tentar providenciar as passagens, mas não vai dar para ser na mesma aeronave [que fará o translado dos corpos] já que não é um voo de passageiros”, explicou.

Dos 31 feridos no acidente, 21 já receberam alta. Seis pessoas, entre elas um homem de 21 anos em estado grave, permanecem internadas em hospitais de Joinville e Garuva, em Santa Catarina, e outras quatro, em instituições de atendimento do Paraná.

Uma equipe composta por um médico, um perito, um bombeiro, um delegado de Polícia Civil e um major da Polícia Militar do Pará desembarcou em Curitiba na tarde desta terça-feira (26) para dar atendimento às vítimas e familiares do acidente. Alguns estavam nesta manhã na porta do IML de Curitiba procurando informações sobre parentes.

“A intenção é ter um ponto focal no Paraná e que a equipe fique responsável para dar as notícias para cada familiar e por questões burocráticas, já que poderia ser necessário esperar que um familiar fosse até lá para liberar cada corpo”, afirmou Machado.

O Major Marco Rogério Scienza, assessor militar da Secretaria de Segurança do Pará, afirmou que a empresa responsável pelo ônibus envolvido no acidente está dando todo o suporte às famílias das vítimas e aos sobreviventes. “A empresa está se comprometendo em dar todo o suporte desde o início, sempre em contato com o Governo e com a nossa secretaria”, revelou Scienza.

Passageiros

Relatos de familiares nas redes sociais mostram que alguns dos passageiros do ônibus pretendiam fixar residência em Santa Catarina, em busca de emprego. Ao UOL a manicure Cassia Braga, 38, tia de uma das vítimas, relatou que a sobrinha, Juliane Garcia, de 23, viajava acompanhada do namorado e de uma amiga.

“Ela morreu em busca de um sonho. Viajou atrás de emprego. No interior do Pará, a situação é muito difícil, então decidiu sair do estado em busca de melhorias para as duas filhas pequenas, o irmão e a mãe, que já é idosa. Só que infelizmente aconteceu isso. Era a primeira viagem para fora do estado, o máximo que saiu de Marapanim foi para Belém”, relatou ao site.

Juliane era de Marapanim, cidade de 28 mil habitantes, no interior do Pará, e, segundo a tia, perdeu o emprego há um mês e decidiu procurar outra função em Itajaí (SC), onde moram alguns familiares. Ela deixou duas filhas, de 4 e 7 anos. O namorado dela, Anderson Mateus Modesto, 21, segue internado em Joinville em estado grave.

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