Em cenário de guerra, diretor-geral do Hospital do Trabalho desabafa: “Não é fácil lidar com tantas mortes diárias”

O diretor-geral do Complexo Médico do Hospital do Trabalhador, Geci Labres de Souza Junior, que gerencia o Hospital do Trabalhador (HT-Novo Mundo), o Reabilitação (Cabral) e o Oswaldo Cruz (Alto da XV), desabafou na manhã desta terça-feira (2). Com os 82 leitos de UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) lotados de pacientes com a covid-19, o médico afirmou que não está sendo fácil lidar com tantas mortes diárias e acredita que o pior ainda está por vir, por conta da falta de consciência da população.

“A nossa situação é de lotação máxima. Só temos seis leitos de enfermaria disponíveis, que são para casos de pacientes que recebem alta da UTI. A gente lida com muitas mortes todo dia, não é fácil. Chegam a ser sete por dia. É um cenário de guerra. A realidade é que existem pacientes aguardando em UPAs por leitos de UTI e enfermaria, que já não encontram estas vagas no sistema”, desabafou.


Para o diretor-geral, só não há filas de ambulâncias nos hospitais porque o sistema de regulação de leitos é organizado. “Não chega a ter fila no hospital, porque nem vem para cá, os pacientes recebem o atendimento na UPA. A vaga de UTI é espaço físico (leito), equipamento e equipes. É diferente do trauma, quando você coloca maca no corredor e dá atendimento, na covid-19 não consegue porque é transmissível e grave”, explicou.

‘Vai piorar’
Para o diretor-geral, a situação que já é dramática vai piorar ainda mais. “Agora que nós estamos chegando há duas semanas pós-carnaval e a população não fez a sua parte. Confraternizações, festas e pode piorar ainda mais. A expectativa é de agravamento, o crescimento de casos é alto, também possivelmente por essa nova variante”, ponderou.

Por fim, o diretor, em nome de todos os médicos que se dedicam no dia a dia para salvar vidas, fez um pedido à população. “Sem medicamento e vacinação, só se tem como solução o cuidado individual e coletivo, com uso de máscara, álcool em gel e ficar em casa, especialmente o grupo de risco e idosos. E que os jovens não saiam mais para trazer o vírus para os mais velhos. Sigam a ciência, não existe tratamento preventivo”, concluiu.

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